Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de bebidas alcoólicas no Brasil aumentou 43,5% em dez anos. O levantamento feito pela entidade também aponta que a substância é a maior responsável pela morte entre jovens brasileiros de 15 a 19 anos. Por ser socialmente aceito e fácil de ser encontrado, o álcool é uma droga extremamente perigosa, podendo levar o indivíduo à dependência ou morte.

Nesse artigo, iremos abordar o que é o alcoolismo, os seus sintomas, causas e os possíveis tratamentos.

O que é o alcoolismo

Caracterizado pelo consumo excessivo de álcool, o alcoolismo é uma doença crônica que torna o indivíduo cada vez mais tolerante ao efeito da bebida. O transtorno é composto por aspectos comportamentais e socioeconômicos, e apresenta sintomas de abstinência na vítima quando o álcool não é ingerido.

A síndrome da dependência do álcool se desenvolve após o uso repetido da substância e é associada à dificuldade de controlar o consumo (não conseguir parar após começar a beber), incidência de náuseas, tremores e ansiedade quando se cessa a ingestão.

É importante destacar que o alcoolismo é diferente do abuso do álcool. O abuso não se caracteriza pelo desejo incontrolável de ingerir a bebida, perda de controle ou dependência física. Além disso, o uso abusivo na maioria das vezes não tem como consequência a maior tolerância por parte do indivíduo em relação ao álcool (desejo de aumentar cada vez mais as doses para se chegar num mesmo efeito).

O alcoolismo não se instala de forma direta. Inicialmente ele surge como um hábito e vai ganhando papel de destaque na vida do indivíduo. Episódios de embriaguez, alterações drásticas de humor e personalidade, e a famosa “ressaca moral” se tornam cada vez mais frequentes. Esse ciclo se repete até que a vítima não consiga mais controlar o desejo de consumir o álcool.

Sintomas do Alcoolismo

O alcoolismo gera na vítima uma série de mudanças de comportamentos. Confira algumas delas:

Perda de controle

O indivíduo perde totalmente o controle sobre a bebida. Ele sente uma necessidade incontrolável de consumir álcool independentemente da ocasião, o que leva o paciente a ingeri-lo mesmo em situações contraindicadas, como antes de dirigir, após ter lesões hepáticas devido ao consumo exagerado ou perturbação das funções cognitivas. Após iniciar o uso, é comum a vítima não conseguir mais cessar a ingestão.

Dependência física

O vício em álcool gera a dependência física. Essa dependência traz consigo sintomas de síndrome de abstinência, como tremedeiras, ansiedade e náuseas, que acontecem no momento em que a bebida é tirada do indivíduo ou o consumo é reduzido de forma drástica.

Os sintomas da abstinência podem levar a vítima a situações que colocam a sua vida em risco. Eles aparecem geralmente de 8 a 12 horas após a última vez em que o paciente bebeu. O delirium tremens, um estado confusional breve, pode iniciar de 3 a 4 dias após esse período. Entre os principais sintomas desse estado, podemos citar:

• Crises convulsivas
• Alucinações
• Confusão mental
• Inquietação psicomotora
• Irritabilidade
• Aumento da temperatura corporal
• Pneumonia
• Insuficiência hepática

Tolerância

Assim como a dependência química, o alcoolismo é uma doença progressiva. Ou seja, são necessárias doses cada vez maiores de álcool para que o indivíduo chegue ao mesmo efeito obtido anteriormente com doses menores.

Aumento do tempo dedicado à bebida

O indivíduo começa a deixar de lado a realização de várias atividades antes recorrentes em sua vida, para beber cada vez mais. Relações sociais, profissionais e amorosas são prejudicadas devido ao alto consumo de álcool que ganha o protagonismo no dia a dia da vítima. O tempo dedicado a ingerir ou conseguir bebidas alcoólicas aumenta consideravelmente.

Tentativas falhas de parar

Geralmente o alcoólatra afirma que pode parar de beber quando quiser. No entanto, ele nunca decide, de fato, parar. O alcoolismo é um caminho progressivo que vai acabando aos poucos com cada setor da vida da vítima. Mesmo após decidir parar, o indivíduo não consegue mais largar o vício, o que acaba gerando frustração por ocorrerem várias tentativas sem sucesso de superar a dependência.

Causas do alcoolismo

Por mais que todas as causas do alcoolismo ainda não tenham sido descobertas, sabe-se que a hereditariedade tem forte influência na predisposição. Ou seja, filhos de pais alcoólicos geralmente têm mais tendência de sofrer com o transtorno. Além do fator hereditário, fatores psicológicos e sociais também têm a sua carga de responsabilidade na incidência da dependência em álcool.

Como já falamos, o álcool é uma droga lícita, socialmente aceita e extremamente fácil de se adquirir. Isso acaba facilitando muito o vício na substância. A adolescência comumente é uma fase de experimentação e desejo de vivenciar novas experiências. Nessa experimentação, surge a vontade de provar bebidas alcoólicas para se sentir mais confiante ou ser aceito em grupos de amigos.

Embora nem todo jovem que consume álcool se torne um alcoólatra, o consumo descontrolado e inconsequente característico dessa faixa etária pode ser bastante perigoso e levar o adolescente a quadros de dependência na vida adulta.

Transtornos emocionais também podem desencadear o abuso do álcool e levar o indivíduo ao alcoolismo. A vítima acredita que a bebida alcoólica funciona como uma rápida solução de seus problemas. É como se a substância fosse uma fuga da realidade do paciente que deseja parar de se preocupar ou sofrer por conta de seus problemas particulares.

Tratamento do Alcoolismo

O tratamento do alcoolismo pode ter uma abordagem variada de acordo com o grau de gravidade da dependência. Entre as opções de recuperação mais comuns estão o Alcoólicos Anônimos (AA), medicamentos, hipnoterapia, tratamento ambulatorial, internação involuntária ou compulsória.

O indivíduo deve ser diagnosticado por um profissional qualificado e especializado no tratamento do alcoolismo. Para obter êxito na recuperação, o paciente precisa ter um acompanhamento a médio-longo prazo para que sejam prevenidas possíveis recaídas. Confira como funciona cada método:

Alcoólicos Anônimos

O Alcoólicos Anônimos é um grupo de recuperação composto por homens e mulheres que compartilham entre si suas experiências com o intuito de ajudar uns aos outros na luta contra o alcoolismo. Para participar do grupo, o único requisito é o desejo de abandonar o vício em bebidas alcoólicas.

O método utilizado pelo AA é o dos Doze Passos, idealizado por Bill W. e pelo Dr. Bob S., em 1935, que é caracterizado pelo relato de problemas, dificuldades e vitórias diante do alcoolismo por parte dos membros, objetivando o acolhimento e a recuperação de todos.

Medicamentos

Nesse método, um profissional de saúde irá receitar ao indivíduo um ou mais medicamentos que irão auxiliá-lo a controlar o seu vício em álcool. No entanto, além do uso dos fármacos receitados pelo médico, é importante que o paciente queira verdadeiramente se recuperar, pois o uso indevido de remédios e a continuidade na ingestão de bebidas pode agravar ainda mais o quadro. Por isso, é indicado apenas para casos leves.

Hipnoterapia

O tratamento de diversos transtornos através da hipnoterapia vem ganhando bastante força. Nesse método de recuperação, o hipnoterapeuta irá conduzir o paciente através de técnicas de hipnose a viver de forma saudável livre do álcool, através da busca por outras atividades prazerosas.

No entanto, a desvantagem dessa abordagem é que o indivíduo precisa ter o desejo de se recuperar. Sendo assim, a hipnoterapia também não é indicada para casos graves. O sucesso do tratamento nesse caso depende prioritariamente do dependente.

Tratamento ambulatorial

As clínicas de recuperação geralmente oferecem esse tipo de tratamento para casos em fase inicial. Nesse método não há a necessidade da internação do paciente, ele continua em casa e recebe uma medicação para controlar os efeitos do alcoolismo.

O indivíduo continua com a sua vida normalmente e faz visitas periódicas a profissionais especializados para que seja feito um acompanhamento das evoluções do caso. No entanto, é importante destacar que esse meio de tratamento só funciona para casos leves.

Internação voluntária e compulsória

Nos casos em que o indivíduo se encontra num nível de gravidade média, tendo consciência de que precisa de ajuda especializada para se recuperar do vício, o mais indicado é que ele seja internado. Essa iniciativa é importante para que a vítima seja afastada temporariamente de pessoas e ambientes que a estimulam a abusar do álcool.

Já para os casos em que o paciente não assume que precisa de ajuda ou simplesmente não aceita, há a internação compulsória. Nessa situação, o dependente não se encontra em condições de responder por si, sendo necessário que a atitude de o ajudar parta da família.

Ajude a quem precisa

A Clínica Viva tem unidades em Recife e Brasília, além de uma unidade específica para o público feminino. Oferecemos os serviços de tratamento ambulatorial, internação voluntária e compulsória com plantão 24h.

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