Também conhecida como furto compulsivo, a cleptomania é um transtorno caracterizado pelo indivíduo não conseguir resistir repetidas vezes ao impulso de roubar objetos. Para estudiosos, essa é uma doença que gera problemas familiares, sociais e até mesmo legais, já que o ato representa uma atividade contra a lei.

Por afetar diversos campos da vida pessoal, o tratamento desse transtorno é desenvolvido com a colaboração de diversos profissionais especializados em áreas distintas.

O doutor Andre Matthey, psicólogo suíço, foi o primeiro a utilizar o termo “cleptomania” para fazer alusão à doença. Ele usou a expressão ‘klopemanie’ para se referir a foras da lei que roubavam impulsivamente itens desnecessários devido a problemas psicológicos. Após anos de estudos e participação de outros profissionais do ramo, foi definido que cleptomania não era um comportamento em virtude de desvio de personalidade, mas sim em razão a transtornos mentais.

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Muitos médicos no século XIX perceberam que quase todos os casos estudados eram pacientes do sexo feminino. Por essa razão, os especialistas passaram a associar o transtorno a problemas uterinos ou tensões pré-menstruais.

Após alguns anos, no início do século XX, os estudos mostraram que não havia correlação entre problemas nos orgãos femininos com a cleptomania, e nos anos seguintes a doença foi praticamente esquecida pelos estudiosos.

Em 1962, o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-I) incluiu a cleptomania como um termo suplementar, mas apenas nos últimos 15 anos é que especialistas retomaram o interesse para confirmar o transtorno como um problema psiquiátrico.

O que é a Cleptomania

O transtorno é caracterizado pelo hábito do indivíduo de roubar objetos mesmo que não precise deles, apenas para suprir o seu desejo. Na cleptomania há um sentimento de angústia e ansiedade quando um objeto é avistado, e o sentimento só é normalizado quando o item é roubado. Em muitos casos, o indivíduo se apossa do objeto e depois de algum tempo volta a devolvê-lo, o que demonstra a importância do ato em si, e não do que fora furtado.

Passado o sentimento de satisfação, vem em seguida uma vergonha intensa, e o risco de ter problemas legais, sociais, familiares e ocupacionais, sendo necessários estudos de tratamento em ampla escala para entender melhor a origem das ações.

Médicos esclarecem que os atos não são cometidos por razões de personalidade, mas sim porque questões psicológicas direcionam o indivíduo a agir daquela maneira. Quem já sofreu com essa doença explica que a sensação é de estar vivendo no modo automático, pois os roubos são cometidos de maneira impulsiva.

Especialistas não categorizam esse transtorno em tipos, pois a distinção é feita através da frequência dos furtos. Dessa forma, a cleptomania pode ser entendida como esporádica, episódica ou crônica.

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Assim como a anorexia, bulimia e outros tanstornos, a cleptomania também é autodiagnosticável, pois a própria pessoa pode perceber os sintomas da doença sem a necessidade de um médico ou exame laboratorial.

Entretanto, é essencial o acompanhamento de um médico para que seja indicada a melhor forma de tratamento. Para o diagnóstico clínico, é preciso fazer um levantamento do histórico do paciente, uma análise dos hábitos sociais e um estudo psicológico.

Sinais e sintomas da Cleptomania

Os sinais da cleptomania muitas vezes não são tão claros como o de outras doenças e transtornos, pois o indivíduo muitas vezes consegue esconder de amigos e familiares o problema enfrentado. Em muitos casos a própria pessoa não encara o fato como uma doença, o que pode dificultar ainda mais a situação.

Entre os principais sintomas e sinais da cleptomania, estão:
⦁ Comportamento compulsivo;
⦁ Ansiedade;
⦁ Culpa após o furto;
⦁ Prazer após o furto;
⦁ Impulsividade;
⦁ Depressão (em alguns casos).

Como falamos anteriormente, o cleptomaníaco sente culpa e vergonha da sua doença, então na maioria dos casos, família e amigos demoram a perceber o problema. Por essa razão, é muito importante ficar atento aos primeiros sinais da doença, como o aparecimento de objetos que não foram comprados, ou então perceber que o indivíduo fica nervoso ou ansioso quando está dentro de alguma loja.

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Causas da Cleptomania

Embora a cleptomania tenha se tornado alvo de diversos estudos por parte dos especialistas, ainda não foi encontrada uma razão especíifica para o aparecimento do transtorno. Entretanto, algumas pesquisas mostram que transtornos de humor e histórico familiar são algumas das razões possíveis.

O hormônio serotonina também já foi apontado como uma das causas, já que exames laboratoriais em cleptomaníacos apontaram uma baixa produção desse agente.

Fatores de risco da Cleptomania

Historicamente, a cleptomania era considerada uma doença do sexo feminino, pois a grande maioria dos casos eram diagnosticados em mulheres. Entretanto, hoje em dia essa definição não existe mais, pois ela pode atingir qualquer pessoa, independente de sexo ou faixa etária. Alguns dos fatores de risco são:

⦁ Situações complicadas em fases críticas da vida;
⦁ Histórico familiar;
⦁ Distúrbio psicológico.

Tratamentos da Cleptomania

Um dos grandes problemas da cleptomania é a demora para se inicar a intervenção médica, pois o indivíduo esconde o transtorno por vergonha da família e amigos. Mas quando essa etapa é superada, é fundamental que a pessoa seja encaminhada para um profissional especializado.

O tratamento é feito com a receita de medicamentos ao mesmo tempo em que ocorre um acompanhamento psicológico. Os remédios mais utilizados são os antidepressivos e ansiolíticos, pois eles atuam diretamente nas funções neurológicas do paciente.

Conheça os principais tipos de tratamentos da Cleptomania

O tratamento da cleptomania varia de acordo com cada caso e intensidade, mas na maioria das vezes ocorre a aplicação de remédios associados a terapias comportamentais. Os médicos encontraram nesses procedimentos os melhores resultados ao longo dos anos, embora hoje em dia estudos ainda continuem em busca da forma mais efetiva.

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Terapia Cognitivo-Comportamental

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é baseada na hipótese da fraqueza cognitiva como um modo de transtorno emocional. Seu princípio se baseia na tese de que o comportamento humano é o resultado da associação dos sentimentos internos e ações a que o indivíduo está inserido.
Essa técnica se baseia em alterar o pensamento e crenças do indivíduo, a fim de construir uma nova realidade que se adeque à normalidade, além de atuar no campo emocional, estimulando a pessoa a agir de forma mais positiva.

Medicamentos: ansiolíticos e depressivos

Como falamos anteriormente, os ansiolíticos e depressivos são muito utilizados no tratamento de cleptomaníacos. Eles agem diretamente nas funções cerebrais, ajudando a acalmar o sistema nervoso. O uso desses medicamentos deve ser feito de forma controlada, pois há outros riscos que envolvem os remédios, como automedicação e superdosagem.

Não deixe para depois

Quem sofre com a cleptomania acaba sendo prejudicado principalmente no seu convívio social quando a doença não é tratada da maneira correta. Por esconder o problema, muitas vezes o indivíduo fica com vergonha de sair na rua, principalmente em locais onde há muitas pessoas, como shoppings.

Além disso, por estar relacionada a um ato ilegal, a cleptomania pode ocasionar em problemas com a lei, o que agrava ainda mais a situação. Por essa razão, o quanto antes a intervenção médica se iniciar, maiores serão as chances de se obter sucesso.

A Clínica Viva conta com unidades em Recife (masculina e feminina) e Brasília, e oferece planos de tratamento para a cleptomania, com a prescrição de medicamentos específicos para a doença e terapia cognitivo-comportamental. Além disso, nós aceitamos os mais diversos planos de saúde com o intuito de atender às necessidades de cada pessoa.

Se você sofre com cleptomania ou conhece alguém que sofre, não deixe para depois, busque ajuda. Quanto mais cedo tratado, mais efetiva será a recuperação.

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