A dependência química é um problema de saúde pública que afeta uma grande parcela da população brasileira, atingindo várias faixas etárias. Segundo dados divulgados pelo Lenad Família (Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos), 28 milhões de pessoas no país convivem com um parente dependente químico. Mas afinal, o que é a dependência química, quais os sintomas, causas e formas de tratamento?

O que é a dependência química

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a dependência química é um conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos desenvolvidos após o uso recorrente de determinada substância química. A velocidade para tornar-se dependente de uma droga depende da substância, da idade em que se iniciou o uso e da propensão genética familiar.

O distúrbio muitas vezes é considerado por familiares e pessoas próximas como um problema moral, o que é uma ideia errada. A dependência química trata-se de uma doença que o paciente não escolhe ter, assim como o diabetes, por exemplo. A dependência química é um transtorno controlável que não atinge apenas o dependente, mas também todos que estão à sua volta, como familiares e amigos próximos.

O uso de drogas psicoativas causa efeitos no cérebro que geram alterações das funções psicológicas, que podem comprometer a capacidade de memória, atenção, percepção sensorial ou o modo de encarar e se relacionar com as pessoas ao redor.

A dependência química é uma doença progressiva. Isso significa que o uso contínuo de substâncias químicas pode se tornar cada vez mais intenso e frequente devido à tolerância do indivíduo, que tende a crescer cada vez mais pelo aumento do uso. Ou seja, quanto mais o dependente usa a droga, menos efeito a substância causa nele, o que o faz desejar aumentar a dose cada vez mais na busca de sentir os mesmos efeitos.

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Sintomas da Dependência Química

A dependência química gera uma série de alterações de comportamento no indivíduo. Conheça os sinais principais:

Desejo incontrolável

Devido à redução da tolerância à substância, o indivíduo consegue cada vez menos controlar o desejo de uso da droga, fazendo com que ele aumente as doses, o que é perigoso para a saúde da vítima. O aumento na frequência do uso pode trazer consigo outras complicações e problemas de saúde, como problemas cardíacos, hepáticos, câncer, impotência sexual ou desejo de suicídio.

Negligência

A frequência do uso tende a aumentar, e em paralelo a isso, a vítima tende a cuidar de si cada vez menos. Cuidados e atividades que antes eram importantes para o indivíduo passam a ficar em segundo plano. Trabalho, relacionamentos, atenção com a aparência e saúde tendem a receber cada vez menos ou nenhuma atenção.

O vício passa a ser o centro das atenções do dependente. Todos os seus esforços começam a girar em torno de saciar a sua vontade de consumir a substância. A necessidade se torna tão intensa que acaba fazendo o indivíduo tomar atitudes desonestas, como roubar dinheiro ou objetos de valor da própria casa, como joias, relógios e eletrônicos, para comprar drogas. O ato geralmente se inicia em casa, mas pode se estender para a rua com o dependente cometendo pequenos furtos ou assaltos.

Assim como a dependência, as mentiras também tendem a aparecer de forma crescente. Esse comportamento se inicia com coisas pequenas e evolui para casos mais graves com o objetivo de encobrir fugas e sumiços de objetos e dinheiro.

Alterações na atitude

A atitude da vítima diante das situações sofre mudanças drásticas, o que acarreta problemas e complicações não só para ela, como também para as pessoas em volta. Destacam-se:

Impaciência e violência: o indivíduo tende a ficar cada vez mais impaciente diante de situações simples do dia a dia. Sua mente fica condicionada a enxergar apenas o problema e querer soluções imediatas.

Frustração: o dependente químico sente-se constantemente deprimido, abatido e desmotivado consigo mesmo e com as pessoas próximas por ver sua vida sendo destruída pelas drogas.

Inquietação: a dependência química causa alterações no cérebro da vítima que o fazem ficar em constante inquietação e euforia ao utilizar as substâncias ou ao sentir a necessidade de usá-las.

Depressão: medo, sensação de insegurança e angústia passam a se tornar sentimentos presentes cotidianamente na vida da vítima. Muitas vezes o dependente só consegue se sentir bem novamente ao usar a substância.

Mudança de amizades e atividades

Atividades antes praticadas com frequência pela vítima passam a ser abandonadas. Prática de esportes, grupos religiosos, grupos do trabalho e amizades antigas são deixadas de lado pelo indivíduo. As companhias do dependente químico passam a ser outros usuários da substância da qual ele faz uso.

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Síndrome de Abstinência

Com a interrupção do consumo da droga vem a síndrome de abstinência, que traz consigo sintomas como tremores, sudorese, insônia, ansiedade, disforia (mudanças drásticas de ânimo), náuseas e vômitos, aumento da frequência cardíaca e outros sinais de alteração do sistema nervoso.

Causas da Dependência Química

Diversos fatores estão envolvidos no desenvolvimento da dependência química. O vício em substâncias é uma união de fatores genéticos, frequência e intensidade de uso, condição de saúde da vítima, fatores psicossociais e ambientais. Funciona mais ou menos como um triângulo, de um lado há a droga, do outro o indivíduo e por fim o local em que ele vive.

Alguns estudiosos consideram que a dependência é um problema psicológico ligado à insegurança, imaturidade, ansiedade e conflitos internos. O que acaba gerando nos indivíduos o desejo de refúgio nas drogas por estarem passando por situações desagradáveis e não conseguirem lidar com elas sozinhos. É como se a droga os desligassem da realidade e dos seus problemas.

Outros pesquisadores da área consideram que a causa do vício pode ser congênita. Ou seja, se uma mãe faz uso de drogas durante a gestação, isso irá prejudicar o feto, gerando nele uma pré-disposição de uso quando nascer. Influências de terceiros como más companhias e ambientes propícios podem interferir diretamente no início do uso. Outras pessoas simplesmente sentem curiosidade de experimentar, saber a sensação em busca de novas experiências e acabam caindo no vício.

Existem também algumas características que podem aumentar a probabilidade de surgir a dependência em alguém, como transtornos psiquiátricos, genética e falta de referências e informações que mantenham o indivíduo longe das drogas.

Tratamento da Dependência Química

Dependendo da gravidade do transtorno, a dependência química pode ter uma abordagem de tratamento variada, podendo ser feito através de grupos de autoajuda, hipnoterapia, uso de medicamentos, tratamento ambulatorial, internação voluntária ou internação compulsória.

O paciente deve ser avaliado por profissionais de saúde qualificados e experientes no tratamento do vício em substâncias químicas. Ao ser diagnosticado com a doença, o indivíduo deve receber um acompanhamento a médio-longo prazo para garantir o sucesso na recuperação. Confira os métodos mais comuns:

Grupos de Autoajuda

Existem diversos grupos que ajudam o dependente químico a largar o vício em substâncias, como o NA (Narcóticos Anônimos). Nessas organizações, as vítimas conversam com outros dependentes para compartilharem suas experiências. Além disso, eles recebem ajuda de profissionais que os aconselham e direcionam para o caminho sem drogas.

Geralmente esses grupos utilizam dos mesmos métodos adotados pelo AA (Alcoólicos Anônimos), como o princípio dos Doze Passos, idealizado por Bill W. e Dr. Bob S., em 1935, caracterizado pela abordagem de problemas e vitórias, e do apoio mútuo entre os participantes.

Medicamentos

Nessa opção de tratamento há a intervenção de um profissional de saúde, geralmente um psiquiatra, que irá aconselhar o dependente e prescrever medicamentos conforme a gravidade do caso. Em situações menos graves em que o indivíduo tem plena consciência do seu problema e está disposto a procurar ajuda, o mais indicado é buscar um psicólogo.

A família tem grande importância nesse método, pois os entes queridos participam ativamente dando apoio ao dependente, além de também se recuperarem dessa difícil situação. É imprescindível sempre destacar que o viciado não é o único que sofre com a dependência química, família e pessoas próximas também são fortemente afetadas.

Hipnoterapia

A hipnose clínica é uma abordagem que vem ganhando bastante força no auxílio do tratamento de diversos transtornos, inclusive da dependência química. No processo de hipnoterapia o paciente será direcionado pelo hipnólogo a viver de forma saudável. O profissional costuma induzir o indivíduo, através de técnicas de hipnose, a ter sensações ruins diante da droga, como náuseas, por exemplo.

Assim, o paciente começa a enxergar o hábito como algo que traz sensações ruins, e não mais de prazer e bem-estar. A desvantagem desse método é que para ser tratado com hipnoterapia, o dependente precisa estar disposto a usar a técnica para se recuperar. Ou seja, não é um método de tratamento indicado para casos graves. Não basta a família desejar a recuperação, e sim, o paciente.

Tratamento ambulatorial

Os centros de recuperação costumam oferecer esse tipo de tratamento para os casos mais leves, no qual a vítima fica em casa e recebe uma medicação para aliviar os sintomas e efeitos da abstinência.

O paciente continua fazendo suas atividades cotidianamente e faz visitas especializadas a profissionais como psicólogos para ter um acompanhamento terapêutico. A vantagem desse tipo de tratamento é que o indivíduo continua em seu ambiente social vivendo sua rotina normalmente. No entanto, é importante reforçar que ele só funciona para casos leves que se encontram em fase inicial de desenvolvimento.

Internação voluntária e compulsória

Quando o paciente tem consciência que está apresentando dificuldades para manter-se controlado e continuar a sua rotina normalmente, é necessária uma ajuda profissional mais intensiva. Para esses casos a internação torna-se necessária para que a vítima se afaste momentaneamente de pessoas e ambientes que influenciam na sua dependência.

Nos casos em que o paciente não aceita o tratamento nem assume o problema que tem, o método mais indicado é a internação compulsória. Nessa situação, o indivíduo já perdeu totalmente o controle de sua vida e não se encontra apto para responder por si só, sendo necessária a ajuda e apoio da família para intervir no caso.

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