A saúde da nossa mente está ligada diretamente à do corpo, ou seja, quando um não está bem, o outro também é afetado. Na maioria das doenças psicológicas e psiquiátricas, existem problemas físicos por trás causados pelo sofrimento emocional. Por isso é necessário o acompanhamento regular para cuidar da saúde mental e física.

Em uma breve explicação sobre a anorexia nervosa e a bulimia, já é possível notar sinais de que o psíquico não está bem, afinal, são duas doenças que mudam completamente a percepção das vítimas em relação ao mundo interior e exterior.

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Como os transtornos alimentares agem

Não é difícil entender o porquê das vítimas serem, em sua maioria esmagadora, do sexo feminino. Desde crianças, elas são submetidas a padrões irreais de beleza, que exigem que tenham um corpo magro, alto e esguio, além de outras imposições estéticas, como cor de cabelo e modos comportamentais. E ao chegarem na adolescência, elas já têm uma ideia muito formada do que é considerado bonito ou feio na sociedade em que vivem.

Dos doze aos dezoito anos, essas garotas estão mais propensas a desenvolver transtornos alimentares. É mais comum que comecem pela anorexia, pois esta requer menos esforço para manter como um segredo do que a bulimia.

São dietas corriqueiras que acabam extrapolando os limites do que é saudável para o corpo humano, afinal, as vítimas chegam a ficar dias sem comer nenhum alimento, sobrevivendo apenas com água, chás e café sem açúcar.

Quando alcançam o ápice e acabam passando mal, desmaiando ou até sendo internadas por conta da fraqueza, é provável que se voltem para a irmã da anorexia nervosa, a bulimia. Na teoria, ingerir algum alimento e não ganhar nenhuma caloria parece o ideal, mas essa outra face do transtorno pede um preço alto das vítimas.

A bulimia consegue ser ainda mais destruidora do que a anorexia. Além da perda brusca de peso, falta de menstruação e enfraquecimento da imunidade, ela afeta seriamente as mãos, a garganta e o intestino de quem sofre com a doença. A média diária de vômitos provocados é três, o que significa que no mínimo são três momentos forçados, seja através dos dedos na garganta ou laxantes, que causam gastrite.

Para obter apoio, as garotas recorrem à internet, onde descarregam suas “conquistas”, felicidades, tristezas e medos.

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Os blogs

Existe um amplo nicho na internet para blogs sobre esses transtornos alimentares. São os chamados “Pró-Ana” (pró-anorexia) e “Pró-Mia” (pró-mia) que estão ativos desde o início da web no Brasil e que ganharam força na época do Orkut, chegando a juntar mais de 50 mil pessoas nas comunidades da rede social. Mais de 70% eram meninas adolescentes de todo o país, sem diferença de classes sociais.

Hoje em dia, esses blogs ainda são fortes e engajam um público extremamente fiel. Os assuntos variam dentro dos temas anorexia e bulimia, mas possuem um valor de choque muito grande para quem está familiarizado com a doença ou é sensível a conteúdo fortes.

Lá, as garotas contam suas rotinas comuns (ir à escola, sair com as amigas) e suas rotinas “ana e mia” (calorias ingeridas, vômitos, pesos e medidas). Além disso, dão dicas para manter os transtornos em segredo e para conseguir passar mais tempo em jejum absoluto, entre três a cinco dias, apoiam uma a outra e postam fotos de corpos magérrimos como inspiração.

Mas, o que mais choca são as histórias criadas por elas, onde a anorexia e bulimia são duas pessoas, duas amigas que querem o bem das vítimas e dão conselhos incentivando o aumento da frequência de jejum e vômitos.

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A depressão como co-protagonista

Engana-se quem acha que os transtornos alimentares são ligados apenas à aparência física. É o contrário disso. Sendo muitas vezes consequências de abusos sexuais e de uso exagerado de substâncias, a anorexia e bulimia estão conectadas as doenças psicológicas.

Como o nível de ansiedade é completamente desproporcional aos acontecimentos vividos pelo indivíduo, ele sofre muito mais com situações pequenas, criando a necessidade de descontar em algo para relaxar – muitas vezes, a comida. Existe uma relação muito estreita entre a bulimia e a ansiedade, pois após comer de forma compulsiva por estar ansiosa, a vítima se sente culpada e acaba forçando o vômito.

Já a relação entre a depressão e os dois transtornos, é um pouco mais complexa do que isso. O primeiro cenário é o de uma pessoa deprimida por algum acontecimento em sua vida começar a desenvolver as doenças, enquanto o segundo é de alguém com anorexia e/ou bulimia reproduzir a depressão por conta justamente das consequências dos transtornos.

Imagine que você tem as duas doenças e perdeu os vínculos que antes possuía. Você não sai mais com seus amigos, pois se sente deslocada, não consegue conversar com parentes, está com o corpo muito fraco e ainda assim não gosta do que vê no espelho, já que a anorexia e bulimia têm essa característica de dizer às vítimas que elas nunca estão magras o suficiente.

A depressão é um vazio que se aloja dentro de outro vazio, ou seja, as pessoas com transtornos alimentares têm uma brecha muito grande para se tornarem depressivas: não veem mais sentido na vida, sentem-se tristes e culpadas por tudo. Nos blogs das garotas adolescentes, não é difícil encontrar fotos de automutilação e desabafos extremamente pesados e gráficos.

Quem tem transtornos alimentares e depressão está tentando apenas lidar com seus problemas emocionais e, por isso, não deve ser julgado. Todo mundo vale a pena.

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Tratamentos

Por se tratar de mais de um problema, são necessários alguns tratamentos específicos. A maioria das pessoas com depressão não procura ajuda por não ter força de vontade para sequer fazer o mínimo no dia a dia, enquanto os que sofrem com anorexia e bulimia não reconhecem que têm uma doença e escondem das pessoas mais próximas.

Além da vergonha, elas não querem que nada atrapalhe o seu objetivo de atingir o corpo perfeito, sem saber que, não importa o quão magras estiverem, nunca estarão satisfeitas. O ideal é que a família e os amigos tentem entender que aquela pessoa também não está saudável mentalmente e por isso precisa de ajuda. Conheça os principais tipos de tratamento dos transtornos:

Hipnoterapia

A hipnoterapia tem surgido como uma alternativa para o tratamento de diversos distúrbios. Com o auxílio da hipnose clínica, o indivíduo consegue se livrar de vícios de comportamentos e pensamentos prejudiciais, como a obsessão pelo corpo, imagens distorcidas e a baixa autoestima. No entanto, para funcionar, o paciente precisa aceitar que estar doente e se permitir passar pelo processo. Devido à isso, a técnica não funciona em todos os casos.

Terapia comportamental cognitiva

Esse tipo de terapia identifica os padrões de pensamentos ligados à baixa autoestima e trabalha contra a sucessão de comportamentos autodestrutivos. Costuma funcionar com jovens que não têm o distúrbio há tanto tempo.

Terapia em grupo

Recomendada para pacientes há mais tempo na recuperação. Tem o objetivo de acolher o indivíduo e fazê-lo sentir-se compreendido por outras pessoas com o mesmo problema. As reuniões consistem nos pacientes compartilharem suas experiências e encontrarem força e motivação um no outro.

Tratamento nutricional

Indispensável para a recuperação da saúde física, o tratamento nutricional tem o objetivo de trazer o paciente de volta aos hábitos saudáveis. O nutricionista realiza um plano alimentar adequado a cada paciente, deixando-o à vontade para colocar seus gostos pessoais na dieta.

Medicamentos

Os antidepressivos são os medicamentos mais utilizados no tratamento dos transtornos alimentares, especialmente quando as vítimas também possuem depressão e/ou ansiedade. A substância deve ser indicada por um médico especialista, pois a dosagem deve ser adequada às necessidades do paciente.

Não deixe para depois

A Clínica Viva Melhor conta com unidades em Recife e Brasília (masculina e feminina), e oferece planos de tratamento para transtornos alimentares e psicológicos, com a prescrição de medicamentos e a realização de terapia cognitivo-comportamental.

Nós aceitamos os mais diversos planos de saúde com o intuito de atender às necessidades de cada pessoa. Se você sofre com anorexia ou conhece alguém que sofre, não deixe para depois, busque ajuda. Quanto mais cedo tratado o problema, mais efetiva será a recuperação.

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