Mexer nos fios de cabelo do corpo é algo que todos nós fazemos em alguns momentos do dia, seja enrolando-os nos dedos ou arrancando aquele fio branco indesejado. Entretanto, algumas pessoas fazem isso em uma frequência maior, além de não conseguirem resistir aos impulsos de arrancar os cabelos, seja da cabeça, braço ou perna.

Em 1889 o médico francês François Henri Hallpeau identificou esse comportamento em um paciente, e batizou a doença de tricotilomania (do grego trico = cabelo, fio; tillo = arrancar). Mas apenas décadas depois é que a patologia passou a ser reconhecida como um quadro de enfermidade.

Essa doença ainda é pouco conhecida no Brasil, mesmo que sejam diagnosticados mais de 150 mil casos por ano no país. Embora ela possa afetar qualquer pessoa, especialistas apontam que o mais comum é que mulheres sejam acometidas pela patologia.

O que é a Tricotilomania

Tricotilomania é um impulso que o indivíduo sente, gerando a necessidade urgente e incontrolável de arrancar o próprio cabelo e pelos, sejam eles da cabeça, braços, sobrancelha ou qualquer outro lugar do corpo.

Pode ser comparado ao TOC, pois é um transtorno compulsivo onde a pessoa não tem o controle da situação. Embora seja uma ação consciente e que a pessoa tenha consciência de que ela não seja correta, o ato continua sendo feito até que, em muitas vezes, a região apresente arranhões e machucados.

Muitas pessoas têm uma intensidade baixa da patologia, e em alguns momentos conseguem parar o ato depois de algum tempo. Entretanto, em outros casos a gravidade é maior, e a falta de pelo é tamanha que muitos preferem esconder a região com panos ou da forma que conseguirem.

Ainda não se tem precisão na causa da doença, mas especialistas encontraram razões genéticas para que ela aparecesse em alguns casos. A pessoa que tem Tricotilomania, na maioria das vezes, busca ficar só, evitando amigos, família e até sair de casa. Além de procurar esconder o próprio problema, com receio de ser julgada, já que esse tipo de doença muitas vezes é visto com estranheza por outras pessoas.

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Sinais e sintomas da Tricotilomania

Os sinais e sintomas da tricotilomania são bastante claros, mas o indivíduo muitas vezes consegue esconder a situação de amigos e familiares. Ao arrancar tufos de cabelo da cabeça, por exemplo, a pessoa disfarça a situação com panos, faz penteados que possam camuflar a ausência de pelos, entre outras maneiras.

Além disso, outras características da doença são:

⦁ Puxar fios de cabelo do corpo em grande e pequenas quantidades, sejam da cabeça, braços ou couro cabeludo;
⦁ Sentir ansiedade ou tensão antes de começar a arrancar os pelos;
⦁ Prazer e alívio após arrancar os fios;
⦁ Muitas pessoas chegam a morder e ficar mexendo nos cabelos arrancados;
⦁ Ter preferência por fios de alguma área específica do corpo;
⦁ Dor abdominal em decorrência da ingestão dos pelos;
⦁ Bloqueio intestinal.

Muitos desses sintomas são vistos pelo indivíduo de forma negativa, por isso muitos procuram se isolar socialmente e esconder a situação. Dessa forma, é fundamental que as pessoas mais próximas, como amigos e familiares fiquem atentos aos primeiros sinais da doença.

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Causas da Tricotilomania

Não se sabe ao certo quais são as causas da doença, mas especialistas e médicos suspeitam que questões genéticas e ambientais estejam entre os principais motivos do aparecimento da tricotilomaina. Questões hormonais e químicas também são alguns dos responsáveis, como os níveis de serotonina e dopamina.

Fatores de risco da Tricotilomania

Como falamos anteriormente, a tricotilomania ainda é uma incógnita para a sociedade médica. Entretanto, há alguns fatores de risco que podem influenciar diretamente no aparecimento do transtorno, principalmente no sexo feminino. Entre eles, estão:

⦁ Situações complicadas em fases críticas da vida;
⦁ Jovens podem apresentar o quadro de tricotilomania mais fácil que outras idades, principalmente entre os 10 e 14 anos;
⦁ Parentes que já tenham apresentado essa doença;
⦁ Apresentação de outros transtornos, como depressão, ansiedade e transtorno obsessivo compulsivo;
⦁ Deficiência de serotonina, hormônio diretamente relacionado à sensação de prazer, também é apontada como uma das possíveis causas do distúrbio;

Tratamentos da Tricotilomania

Um dos grandes problemas da tricotilomania é que muitas pessoas ao perceberem que apresentam o quadro da doença escondem o problema. Isso pode acontecer por vergonha, principalmente pelo problema ficar aparente ao longo do corpo. Mas quando a pessoa entende que o tratamento é o melhor caminho e conta com a ajuda da família e amigos, a ajuda médica vai ser muito mais efetiva.

Conheça os principais tipos de tratamentos da Tricotilomania

O tratamento desse transtorno exige acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, que incluem médicos, psicólogos e psiquiatras. Entre os principais métodos de tratamento da tricotilomania estão a terapia cognitivo-comportamental e a administração de medicamento, como antidepressivos.

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Medicamentos

Antidepressivos podem ser utilizados, especialmente em casos em que outros distúrbios sejam apresentados, como depressão e ansiedade. A função dele é diminuir a tensão do paciente, ajudando a controlar o desejo de arrancar os fios de cabelo.
Entretanto, a substância deve ser indicada por um médico especialista, pois a dosagem deve ser adequada à necessidade do paciente. Outra preocupação dos médicos especialistas é a automedicação, muito comum em tempos atuais.

Terapia

A psicoterapia cognitivo-comportamental tem mostrado ótimos resultados a longo prazo, quando vários métodos e medicamentos são usados associados. Cada tratamento vai ser adequado de acordo com as necessidades do paciente, por essa razão pessoas com tricotilomania não devem procurar se automedicar.

A terapia cognitivo-comportamental vai ajudar o paciente a substituir as emoções negativas que o levam a arrancar os fios de cabelo. O tratamento procura transformar essa sensação em algo positivo, levando o indivíduo a fazer outra coisa ao invés de puxar os fios.

Não deixe para depois

Quem sofre com a tricotilomania acaba sendo prejudicado principalmente no seu convívio social quando a doença não é tratada da maneira correta. Por arrancar os fios de cabelo e isso deixar marcas graves no corpo, o indivíduo busca esconder o problema e se afastar do convívio social.

Além disso, como falamos anteriormente, muitas pessoas afetadas por essa doença acabam deglutindo os cabelos arrancados, o que pode ocasionar problemas gastrointestinais e digetivos. Por essas razões é fundamental que amigos e familiares fiquem atentos aos primeiro sinais da doença.

A Clínica Viva Melhor conta com unidades em Recife (masculina e feminina) e Brasília, e oferece planos de tratamento para a tricotilomania, com a prescrição de medicamentos específicos para a doença.

Nós aceitamos os mais diversos planos de saúde com o intuito de atender às necessidades de cada pessoa. Se você sofre com tricotilomania ou conhece alguém que sofre, não deixe para depois, busque ajuda. Quanto mais cedo tratado, mais efetiva será a recuperação.

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